Eu mereço um amor.
Um amor por inteiro.
Um amor verdadeiro.
Um amor que não precise de lembranças para que me traga flores -
porque elas são oferecidas de bom grado.
Um amor que não exija que eu peça por atos gentis -
porque eles simplesmente acontecem, incontestáveis.
Eu mereço um amor que caminhe ao meu lado,
Que sonhe seus sonhos comigo,
Sem que eu precise encolher os meus.
Um amor que não exija prova do meu valor,
porque reconhece quem eu sou.
Alguém que ame mesmo as minhas estranhezas,
que abrace os meus detalhes,
que faça o inesperado com alegria,
e o esperado com constância.
Com quem eu possa retribuir os bons gestos,
pois esses habitam na delicadeza.
Compartilhar os bons momentos,
rir, gargalhar das piadas...
Amar apaixonadamente,
com desejo, presença e emoção.
Eu não quero um cartão de vitrine,
previamente escrito por um estranho e impresso para ser vendido.
Quero um papel simples,
com palavras verdadeiras,
ditas por quem me conhece
e me ama por quem eu sou.
Eu quero um amor que seja amigo,
companheiro,
parceiro.
Que aceite dançar comigo,
mesmo sem saber os passos.
Que, para além de dizer "não se preocupe com isso",
valide minhas dores sem pressa de silenciá-las
E, mesmo que por vezes não as compreenda,
tente entendê-las.
Quero um amor que me olhe
e me admire pela mulher que sou,
Não apesar da minha força
Mas por causa dela.
Que saiba que sou independente,
alguém que já se ama
e se respeita.
Que não precisa do outro para ser feliz
Mas sim para partilhar aquilo que transborda.
E se esse amor não existir
Se for um sopro de sonho
Ainda assim
O amor que tenho por mim,
já é casa,
já é abrigo
E compensa o que o amor alheio não me dá.
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